sábado, 10 de dezembro de 2011

«Cozinha d’amigos»: mais do que um livro de culinária

É um livro com a chancela que caracteriza as obras de Miguel Sousa Tavares: provocador, emocionante, revelador e intenso e que foi escrito porque o autor acredita que a cozinha é uma arte que reúne a família e aproxima os amigos da natureza e das coisas simples da vida.

«Escrever sobre cozinha é um prazer. Gosto de escrever sobre tudo e sobre tudo aquilo que me acontece e qualquer coisa. São memórias da cozinha, são a explicação do gosto de cozinhar, como é que iniciei a cozinhar e o que eu entendo que é a cozinha. Mostra que gosto de escrever sobre todas as coisas que interessam: dêem-me a ideia que escrevo. A cozinha é, sobretudo, um lugar para ser generoso, para receber os amigos e para estar com as pessoas de quem a gente gosta. Cozinhar é muito mais do que uma obrigação, uma tarefa doméstica, cozinhar, é, de facto, uma arte, uma filosofia e uma maneira de estar na vida», disse Miguel Sousa Tavares a A BOLA.

Rui Moreira, colaborador de A BOLA e presidente da Associação Comercial do Porto, fez apresentação do livro e teceu rasgados elogios à obra agora publicada.

«É o livro mais intimista do Miguel porque é aquele em que ele revela o seu lado mais pessoal. É mais do que um livro gastronómico é um pouco autobiográfico. Ele gosta de cozinhar para os amigos e é uma confissão da sua alma relativamente a um dos seus vícios favoritos. Tudo o que o Miguel faz é com competência, engenho e arte», elogiou Rui Moreira, que destaca o prato que mais gosta: «Recomendo fortemente a canja de amêijoas».

Ao longo de 102 páginas, Miguel Sousa Tavares destaca 33 receitas, que correspondem a uma boa história, viagem ou memória.

O livro tem o prefácio de José Manuel Barata-Feyo e fotografias de José Pedro Monteiro.
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Tomas Transtromer homenageado pela Fundação José Saramago
Por Leonel Lopes Gomes

A Fundação José Saramago organizou uma sessão de homenagem a Tomas Transtromer que, este sábado, vai receber, das mãos do rei Carlos Gustavo, da Suécia, o Prémio Nobel da Literatura 2011.

A cerimónia decorreu no Espaço «Ler Saramago, o essencial do Nobel», na Biblioteca Municipal Palácio das Galveias, em Lisboa, um espaço que era muito familiar para José Saramago.

«Voltei hoje à Biblioteca Municipal do Palácio das Galveias ali no Campo Pequeno, onde comecei realmente a aprender a ler», escreveu o Nobel português num texto publicado nos Cadernos de Lanzarote, Diário V.

Uma iniciativa que cumpriu um dos desígnios de José Saramago aquando da criação da fundação: defender e divulgar a literatura contemporânea e promover a agitação cultural, explica Pilar del Río, viúva do escritor e presidente da fundação com o nome do Nobel português.

«Este homem merecia um esforço por parte da fundação. Tomas Transtromer é um grande poeta e ser humano. Não é possível separar a pessoa da obra. Além disso, vimos que não é muito conhecido em Portugal e então decidimos organizar esta sessão», afirmou.

A sessão de homenagem ao autor sueco foi conduzida pelo poeta e director da Fundação José Saramago, José Mário Silva, conhecedor da obra de Transtromer, e pela jornalista Raquel Marinho, dinamizadora do projecto Avenida de Poemas, que no final falou a A BOLA sobre esta sessão literária:

«É uma alegria poder participar nesta homenagem porque o Tomas Transtromer é um grande poeta e este prémio era aguardado há muitos anos pelos suecos. Decidimos homenageá-lo na véspera (de receber o Nobel. Pareceu-nos o timing certo.»

Tomas Transtromer

Tomas Transtromer é um amigo da música, dos versos, das causas belas, o sueco que não fala nem se movimenta mas que comunica com o olhar e que com ele é capaz de trazer beleza ao mundo.

Tomas Transtroemer, 80 anos, hemiplégico – doença que paralisa metade do corpo - há mais de 20 anos devido a um acidente vascular cerebral, que o fez perder a fala, é um dos autores escandinavos mais conhecidos internacionalmente e cuja obra já foi traduzida em mais de 60 línguas.

«É um poeta que se debruçou sobre as grandes questões que inquietam o homem: questões existenciais e a natureza. É um poeta que tem belas metáforas para escrever a poesia, metáforas muito originais», observa Raquel Marinho.

Festejar Saramago 13 anos depois

10 de Dezembro de 1998. Dia em que José Saramago recebeu o Prémio Nobel da Literatura, em Estocolmo.

13 anos depois, a obra do autor português continua a ser actual.

Fotos de António Azevedo/ASF
23:32 - 09-12-2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Manuel António Pina: Prémio Camões 2011

Um poema:

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
Poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
– como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? –

Poesia Reunida, p.38, Assírio&Alvim, 2001

sábado, 18 de junho de 2011

Diretora das Edições Esgotadas vence Concurso literário da ESEV "Era uma vez...Histórias com Matemática"!

Teresa Adão, com a história " Um Zero sem valor" vence concurso literário de Matemática

Um Zero sem Valor





No sofá branco de imitação de pele, os dez algarismos ajeitavam-se para ver o telejornal. Nunca lhes tinham dado tanto protagonismo nas notícias e eles sentiam-se privilegiados. É que, além de falarem deles organizados em números, ainda apareciam na televisão primorosamente desenhados e muito coloridos, facto que ainda lhes dava mais destaque. Quem não estava bem sentado era o Zero que, tendo o sofá apenas nove lugares, era sempre empurrado pelos outros. Se não fossem o Seis e o Nove que, tendo pena dele o aconchegavam um com o seu braço esquerdo e o outro com a sua perna direita, o infeliz Zero não conseguiria saborear o prazer de ser vedeta de televisão. Não se pense, todavia, que os restantes algarismos eram egoístas e mal formados, escorraçando sem motivo o companheiro. Na verdade, no Natal passado, quando o sofá foi comprado por todos, o Zero, o Um e o Dois bateram o pé e declararam que só pagavam a parte correspondente ao valor dos respectivos números. Acontece que, sendo assim, o Zero não contribuiu com nada para a aquisição do sofá branco. Ora, dado que a família dos algarismos era constituída por dez elementos e não encontraram em nenhuma loja um sofá com esse número de lugares, quem ficava sempre de fora era o Zero e acreditem que nunca refilava com medo de receber uma má resposta que o deixasse sem capacidade de argumentação.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mario Vargas Llosa sobre Jorge Semprún

Mario Vargas Llosa sobre Jorge Semprún






Jorge Semprún



Las muestras de pena por la muerte de Jorge Semprún, desde el presidente de Francia hasta los lectores en el FB, siguen llegando. Aquí la opinión de Mario Vargas Llosa, quien lo conoció bien.



Dice la nota:



Yo creo que Jorge Semprún vivió no como testigo sino como protagonista los grandes tumultos históricos del siglo XX… Acometió la lucha contra el fascismo, fue un militante de la Resistencia y vivió la experiencia atroz de los campos de concentración de los que salvó de milagro. Luego vivió la ilusión comunista y las grandes facturas del comunismo cuando se rebelaron los campos de concentración, el GULAG… Participó después del intento de la experiencia eurocomunista y fue purgado por el comunismo estalinista. Pero no se desilusionó. Siguió siendo un militante luchando por una democracia de izquierdas con la que se comprometió. Fue también un gran escritor comprometido cuyos libros son un testimonio vivo con el que ingresó en las polémicas contemporáneas. Como Albert Camus, la suya fue una literatura llena de una gran preocupación moral. Fue un magnifico escritor, gran ensayista, muy amigo de sus amigos, un hombre servicial y sin fronteras, un europeo con una visión transnacional y generosa. La muerte de Semprún es una perdida que vamos a sentir mucho todos, los españoles, los franceses, la Europa en la que creyó; era una rareza, su ejemplo y su obra van a quedar. Éramos muy buenos amigos. Todos los que lo conocimos sentimos un gran vacío con esta muerte.